domingo, 7 de outubro de 2012

Naquela janela!



Naquela Janela não vejo o futuro,
Vejo um presente que é tão latente.
A vida serena e o sonho seguro,
A paz inerente na alma da gente.

Naquela janela ficou retratada,
Que vida vivida jamais é roubada.
Tempo passando e o hoje chegando,
Mas nada se foi para quem segue amando.


Naquela janela aflora a vida,
Regada de amor de forma desmedida,
Não é uma imagem do que se perdeu,
Ali se retrata que muito valeu.

Naquela janela pedaços de mim,
De vida eterna, pois não terá fim.
Porque o que fica não é a dor,
Mas é a candura, o zelo e o amor.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Telefone sem fio!




Um fato ou boato o negócio é propagar,
Não importa o fundamento ou se dano irá causar,
E quanto à retratação não sou eu a amargar,
O culpado é o outro o primeiro a divulgar.

Assim surgem heróis e vilões do instantâneo,
Um ato decidirá juizo a seu respeito.
Não importando a história fossiliza-se o momentâneo,
E o conjunto da obra deixa de ser direito.

O “intimo desconhecido” passa a ser objeto,
Aprecia-se e deprecia-se por puro reflexo.
Vai se exercitando um julgar nada reto,
Nenhuma preocupação se o que fala tem nexo.

Repagina-se dos tempos idos a brincadeira infantil,
Telefone sem fio: “Quem conta um conto, aumenta um ponto”.
Passe adiante não se importe em ser sutil,
E o tolo passa a ser sábio e o sábio passa a ser tonto.

E na confusão desvairada deste disse-me-disse,
Não interessa a fonte a notícia se espalhou,
Transformando em verdade até o que é crendice,
Não tenho nada com isto, só repassei: foi outro quem falou.

sábado, 11 de agosto de 2012

To de sako xeio!


To de saco cheio de tanto devaneio,
De tanta corrupção e que se exploda a população.
De tanta palavra frívola mascarada de coração
E surdez para a alma aflita, que moída chora e grita.

To de saco cheio de tanta falsa solução,
De tanto interesse torpe saqueando a nação.
É tanta fome de tudo, desespero e opressão.
Do silêncio que só se quebra com terceira intenção.

To de saco cheio dos salvadores da Pátria,
De gente que escolhe quem é bom e quem é pária.
De ver tanta desgraça feito rama no chão,
Regada pelo suor dos humildes desta nação.

To de saco cheio das palavras do porvir
Estas que afirmam que um dia vão se cumprir
Mas nunca chega o presente que supra a mesa de pão
E ao lado sofre o vizinho: "vá em paz com a minha oração".

To de saco cheio da falsa mudança que orbita,
Em torno sempre dos mesmos e a verdade se evita.
Do discurso erudito do doutor, da 'sua excelência'
Que tem bela aparência, desprovido de decência.

To de saco cheio de ver tão pouca união,
Da falta de entendimento aceitando a enganação,
Do dividir pra conquistar, que impede a integração
De um povo que guerreiro desconhece sua condição.

Por fim...
To de saco cheio de ver os filhos deste solo,
Da imensa Pátria amada mãe gentil
Serem ludibriados por canalhas com ardil.
Enxergue quem queira esta verdade nada sutil.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Metade!


   
       Já dizia o “velho e bom”   Tomas de Aquino  (1225 – 1274)
      “Ludus est necessarius ad conversationem humanae vitae - O brincar é necessário para a vida humana”
       Acho bem interessante brincar, uso bastante deste expediente nas minhas relações pessoais, mas percebo que o “mundo das relações cibernéticas” tem algumas coisas intrigantes.
      Quando me deparo com um adulto tendo atitudes infantis (Não me refiro a bom humor e nem brincadeiras), imediatamente penso: Esta pessoa tem algum tipo de retardo (retardo não é ofensa).  É uma impressão que de imediato tenho, não um julgamento, porém nas relações cibernéticas as “tais atitudes” infantis me fazem perceber/refletir de outra forma.
       É a fase lúdica na idade adulta nos moldes infantis.
       Assim como as pessoas colocam a sua melhor foto em seus respectivos perfis (A maioria pelo menos tenta. rs), procuram passar também a sua melhor imagem e não me refiro ao “rostinho bonito”, afinal todo mundo que se mostrar bonito né?   Erro algum.
      O que me intriga?
      Conheci ontem meu melhor amigo de infância; sou super em... (mulher maravilha, super homem etc.) super nem que seja em humildade. Príncipes e princesas é o reflexo que se deseja transmitir, basta “maquiar” não descuidar do penteado e verão quem eu sou, é engessar a perfeita imagem, o melhor perfil, tal qual um modelo diante de um pintor e congelado serei EU, mas não respire e não se mova, não revele nada além do que quer mostrar.
      Que raios quer mostrar?  Hummm, ou será o que não deseja mostrar?
      Humanidade será?
      Se nas relações pessoais (DE FATO) sabem quem sou, com defeitos e qualidades, não será nos papos com meus “amigos de infância feitos ontem” que me preocuparei em ser só este rostinho bonito.
      E na desnudes revelada fortuitamente, o espelho mágico responde: --- Não você não é a (o) mais bela (o).
      Diante de tal revelação...  Bico, fico de mal, emburro, esperneio, fofoco, o outro é o meu maior inimigo, tal qual tem nos livros infantis, até, até que eu possa refazer minha imagem, aquilo que desejo transmitir. E o que sou?  Bem, o que sou pouco importa, vale sim o que desejaria ser e tão somente o que desejo mostrar.

domingo, 29 de julho de 2012

Sentimentos!



Turbilhão que invade a alma,
Tem hora que agita e hora que acalma.
Criado em profundas dores, por grandes amores,
Saudades imensas, por ousadias e pudores.

Alguns nos protegem, outros desnudam,
Alguns fortalecem e outros calcificam,
Alguns são loucuras, outros, serenidade,
Alguns sinceridade, mas outros maldade.

Nem sempre se escolhe o que sentir,
Toma-nos de assalto no ir e no vir,
Mas se tem escolha no passo adiante,
Quando se olha além do rompante.

Passando a entender que sou fruto gerado
E que não surgi por um simples acaso,
Torna-se possível vencer qualquer dor,
Pois nada é mais forte que o dom do amor.

Assim sentimentos são mais que bem vindos,
Podemos senti-los sem medo ou culpa
E o que não prestar que nos sirva de alerta:
Alma sensível, mas nem sempre aberta.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Ego!



Tem ego que dita o andar e é ele quem conduz,
Caminha por todo lugar, rejeita somente a Cruz.
O mundo é seu umbigo e importa o que se deseja,
Os outros são só um meio de se ter o que almeja.

Deus, quem é este ser que chamam de Criador?
Se for possível usá-lo, até confessam amor
Mas, logo muda o sentir que julgam ser verdadeiro
Basta não satisfazer o desejo interesseiro.

No decurso da vida pensa estar construindo
Verdadeira felicidade sem ver que está ruindo.
E quando se der conta do tempo que se passou,
Será triste perceber que da vida pouco restou.

Melhor coisa é a entrega, sem temor, sem receio.
Só existe um caminho: Jesus é o único meio.
Quem quer pensar diferente tem total liberdade,
É só seguir o seu ego, que eu sigo o que é verdade.


domingo, 17 de junho de 2012

Seguraaa Pião!




Tenho muitcha dificulidadi com a língua brasileira, as veix esqueçu o assentu, daí fico de pé mermo, a ixcrita é ôtra prosa, sem probrema, é simpres.


Xegô o PIÃO muntadu na égua di nome Bela,
Kuase levô um coice ao decê de sua CELA.
CONCERTOU sua postura e saiu andanu farceiro,
MAU sabe o caboclo, mais é um bom CAVALHEIRO.

COMPRIMENTOU  educadu todo aqueli povão,
Num DISTRATOU ninguém naqueli pedaçu di xão.
DESPENSOU o elugio, da tchurma centada na arena,
MAIS num tirava os zóio da lora nem da murena.

Feix toda exibição sem ninhum DEFERIMENTO,
Tudo nu tempu certinho, VULTUOSO entretinimento.
E quandu xego a tardinha na EMINÊNCIA do rezurtadu,
Foi  FRAGRANTE para todos, foi ele o acramadu.

domingo, 10 de junho de 2012

Padrão e Podrão!


     
       Em um local distante, em uma data inexata, viveram dois irmãos gêmeos univitelinos, Padrão e Podrão.
       Criados da mesma maneira e tendo oportunidades semelhantes, eram radicalmente diferentes no modo de ver a vida e na maneira de conduzi-la. 


       Jovens “cristãos”, estavam sempre envolvidos com qualquer atividade social que surgisse; extrovertidos e extremamente carismáticos eram “figurinhas fáceis” em qualquer aglomeração.  Devido às características de liderança que ambos tinham, sempre estavam à frente encabeçando as atividades, várias e várias pessoas os seguiam, porém Podrão se sobressaía ao seu irmão, era mais articulado, seus “apelos” eram mais cativantes e populares, enquanto Padrão era mais exigente e não tão instantâneo no que seu discurso oferecia. O resultado era que Podrão atraia multidões e Padrão tinha alguns seguidores, mas nada próximo ao do seu irmão.


       Padrão chateado com seu raio de influência, vendo seu irmão ser constantemente ovacionado, foi ter mais uma de suas muitas conversas com ele:

  --- Oi Podrão. Não quero ser chato, mas você continua levando as pessoas que te seguem a euforia, festa, mas você não traz nada de profundo para elas. Entram e saem vazias das reuniões ou qualquer coisa que você proporciona a elas. Você precisa mudar!

   --- Ta loko mano?? Este papo furado de novo. Comigo a conversa é outra. To ligado em resultados. Você é ligado em mixaria e eu em ABUNDÂNCIA. Falo pros meus liderados: “Sejam podrão dos fieis”. Este negócio de ter que ficar cheio de normas, ter que seguir PADRÃO é coisa do passado, meu!! Se liga.
Meu irmão, vou te dar uma dica: SENTIDOS. Saca SENTIDOS ?? Os cinco? Ta ligado? Você tem que pegar os caras por eles. Os caras querem ver coisas bonitas, ouvir, cheirar, tocar e degustar. Esta conversa de NÃO PODE já era. O negócio é CURTIR e viver de boa. Isto é A VIDA. Sacouuuuuuuu?
Repentinamente a conversa acaba, quando um jovem é sacudido em sua cama: 

  --- Acorda, vai perder a aula. Era sua mãe o acordando.

       O jovem senta em sua cama, e pensa: Verdadeiramente preciso decidir o que serei!
Podrão ou Padrão. E aquele lugar/momento se chamou ARMAGEDOM, o vale da decisão.

       Este é certamente o lugar, aonde em muitos momentos de nossas vidas nos encontramos, daí TEMOS que decidir o que seremos. 

       Padrão ou Podrão?

       DECIDA !!



 
       Obs.  Minha “inspiração” para esta singela historinha, veio de uma “preleção” que o meu amigo, Pr. Luiz C. Magalhães fez a alguns anos.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

O homem!





O homem, esta criatura, quando crê na jetatura
Tem medo de se desvendar, de entender a aventura
Sempre engessado, para o novo não dá abertura,
Por vezes vive ao léu andando só em agrura.

O homem, esta criatura, quando crê na sorte
Tem horas que se faz afoito, desdenha a vida e a morte
Mesmo quando está fraco insiste e faz pose de forte
Mal sabe, mas faz tempo que da vida perdeu o norte.

O homem, esta criatura, quando crê no fortuito
Anda "sem eira nem beira", seguindo só seu intuito
Crê que o caminho é largo desprezando o pertuito.

O homem, esta criatura, quando crê no CRIADOR
Tem sua vida mudada, transformada pelo amor
Deixa de lado seu ego, confessa: Sou pecador
Mas, sobre tudo, encontra o sangue remidor.

O homem, esta criatura, quando se vê no CRIADOR
Acaba toda amargura: Encontrou seu Salvador!
Deixa de ser criatura; é filho, gerado em grande clamor.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Força Motriz!





A vida é muito boa, demente é quem dela enjoa.

Somar, multiplicar o riso na face,
Subtrair o problemão que mais parece uma Jubarte,
Como se fosse comê-la, não inteira, parte a parte.
Dividir a vida com quem se ama, sem desculpas, sem disfarce.

Ver as cores, sentir os olores e sabores.
Abraçar apertado que de tão amassado,
Se sente no peito de que ritmo o coração do outro é feito.
Olho no olho e não olho por olho.

Rir pra caramba, gargalhar até perder o ar,
Prantear, chorar muito sempre que a alma clamar,
Falar até cansar e ouvir sempre que alguém necessitar,
Levantar, caminhar, ir tendo para quem voltar.

Ninguém veio de passagem só para sentir a aragem,
Não é azar a falta de leito na choupana e nem sorte no castelo ter cama.
Triste é o feio ou o bonito que pensa ser ele finito,
Que crê somente na força do braço sem dar valor ao abraço. 

Quer saber uma verdade?  Não importa a sua idade,
Se for novo ou se for velho, se é risonho ou se é sério,
Se é calado ou falante, em derrotas ou triunfante.

Crendo ou não, Deus te amou por sua própria decisão.
Viva a vida feliz, mas saiba, existe uma força motriz.


Quão preciosa é, ó Deus, a tua benignidade, pelo que os filhos dos homens se abrigam à sombra das tuas asas.”  Sl.  36:7


sábado, 14 de abril de 2012

A Origem!


Uma singela homenagem a Nova Friburgo!
















Nas brenhas do Morro Queimado,
Aquele que se chegou ou o que foi gerado,
Neste solo mãe gentil, sempre foi acalentado.

Tal qual criança serena no regaço da mãe, resguardada,
Friburgo, incrustada por montanhas mais parece um ninho,
Nela, é se sentir como parente do outro, sem estranhos,
Todos e qualquer um é meu vizinho.

Sinto falta das montanhas que me pareciam limites,
Deixei suas fronteiras ao alçar voo solo,
Mas quando me aperta o peito,
Confesso-te, minha Terra, necessito do seu colo.

É mais que um pedaço de chão,
É vida, é história na alma e coração,
Todos nós dividimos um quinhão de sentimentos,
Por esta Terra querida que nos une em algum momento.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Quem nasceu primeiro o ovo ou o cordeiro?



A páscoa é muito mais do que um bom chocolate,
Ela fala de angustia, de morte, de vida e libertação;
Fala do amor estampado e da obra da redenção.

A páscoa é um chamado das trevas para a luz,
É um convite sincero que foi selado na Cruz,
Portanto não está sozinho, existe quem te conduz.

A páscoa é a lembrança não só do cativeiro,
Mas que fomos libertos por um Deus verdadeiro,
Ele não se deu por parte foi consumido inteiro.

A páscoa é umbral marcado com o sangue do cordeiro,
É comunhão na mesa, é Deus o real companheiro,
É luto e celebração, morte e vida, RESSURREIÇÃO.

E se por acaso a dúvida persistiu,
Saiba que o “ovo nasceu”,
O CORDEIRO SEMPRE EXISTIU!

No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” Jo 1:29

domingo, 1 de abril de 2012

Falar & Fazer


Na mente cabem palavras que expressam ideais,
Pena que em muitos momentos nas mãos não se tornem reais.
Ou o discurso é tolo e beira a enganação,
Ou ele é o fruto da vida precedido pela ação.

Tranquilo é criticar o feito ou desfeito do outro,
Escrevendo palavras fortes que mostrem indignação,
Que muitas vezes é fruto das dores do coração.
Difícil é ter atitude que de fato de direção,
E não meras palavras que é só exposição.

Falar é muito fácil não demanda muito esforço,
Gera em nós grande alivio e até certo conforto.
Aplaca a consciência expor erros e devaneios,
Se eles não forem meus é simples citar os alheios.

Ainda espero que um dia tenha mais do que palavras,
Quem sabe até sendo alvo das criticas tão acirradas.
E mesmo fazendo coro com muitas que são expostas,
Oxalá eu possa, ter menos letras e mais respostas.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A Lavanderia de Dona Futrica!


               Aquela era uma cidade pequena, do tipo que tem duas inscrições na mesma placa:  “Seja bem vindo” e  “Volte sempre”.   O povo sem ter o que fazer cuidava da vida um do outro, afinal nada mais sensato do que olhar as mazelas alheias. 
              As comadres se encontravam na pracinha e tudo era motivo de “oração” (tendo em vista que o povo da dita cidade era muito religioso). 
             Dona Futrica falava para as outras mulheres:  --- Irmãs precisamos orar por fulano para ele parar de beber, bateu na mulher; ela o traiu com o Seu João e está devendo na venda do seu Manoel.
          Outra respondia:  ---  Nossa foi com o João é??  Pensei que tinha sido com o Tião.  Ainda bem que estamos aqui para interceder por eles, antes “irmã” nos conte  todaaaaa a situação!!
            Na pracinha os homens aposentados também se encontravam e jogavam dama, já as comadres enquanto “oravam” jogavam LEVA E TRAZ , um joguinho desenvolvido e praticado sistematicamente por elas.
            O problema central na cidade era o ócio, porém as comadres ocupavam seu tempo jogando LEVA E TRAZ; neste jogo as regras eram complicadas, porque o intento do mesmo era gerar confusão, fazendo com que a adversária nunca fosse entendida e também nunca pudesse se explicar, afinal para que simplificar se tem como complicar?!?!
             O jogo partia do seguinte pressuposto :
               “Quem conta um conto, aumenta um ponto”

             Como era uma cidade muito pequena e pouco desenvolvida a falta de luz era constante, nestes momentos sobrava serviço, o ócio acabava e os JOGOS eram  interrompidos.
          Aos homens neste período cabia a execução do “serviço com a PÁ”.
         A cidade que dava um leve sinal de desenvolvimento, quando a luz acabava usavam a força do braço no lugar das máquinas, enquanto trabalhavam de “pá em punho” conversavam:
          ---  Vocês viram o que foi falado na reunião??     ---  Eu vi, mas não é “PÁ” mim.   
          --- “PÁ” mim também não, é “PÁ” ele. 
          E assim era.  Tome  “PÁ” pra lá e “Pá” pra lá Tb ; nunca era “Pá MIM”.
         No caso das comadres, quando interrompido o jogo “LEVA E TRAZ” , o trabalho que lhes cabia era na LAVANDERIA DA DONA FUTRICA.
              Sem Luz cada uma pegava sua esfregadeira, também em uma boa trouxa de roupa; até a luz voltar e o jogo retornar.
               Retornando ao Jogo perguntavam:
                ---   Onde mesmo paramos a prosa, Futrica?    
                        Respondia ela:
                ---   Isso importa  ?

“...Seis coisas o SENHOR aborrece, e a sétima a sua alma abomina:
   olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente,
   coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal,
   testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos...”
    Pv 6:16-19

                
            


     
      


Semente!



Do limão faz limonada, da laranja laranjada,
Da goiaba goiabada e da banana bananada.
Do amor se faz mais gente, das letras se faz repente,
Do açúcar faz doçura e do laço se faz ternura.

Com posição bem valente a vida se faz presente,
Com covardia inerente a dor de outro nem sente,
Com desapego do eu é mais nosso e menos meu,
Com certeza que nem tudo sabe mais conhecimento lhe cabe.

No amor se faz companheiro, na luta se faz parceiro,
Na paz que se planta semente e na guerra a gente defende.
Dia a dia se forma o homem, não em desejos que só os consomem.
No cansaço se busca o regaço e no tombo quem estenda o braço.

Na semente tem potencial  para o bem ou para o mal,
Mas se ela não for bem cuidada nem chegará à florada.
Recebendo devida atenção de quem espera o fruto,
Certamente que vai vingar, resultará bom produto.
Tenha muita atenção ao que deixa germinar,
Durante sua jornada antes dela se findar.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Cada um é... cada um!


     
      Tem algo que percebo que ocorre com algumas pessoas. Diante de determinadas situações enxergam no outro o possível suprimento para cobrir o que lhe falta, existe algum mecanismo interno e sinceramente não sei explicar como funciona, mas o resultado deste funcionamento/desajuste é visível, assim como é um elefante tentando se esconder por detrás de um pé de alface.
       Nas relações “cibernéticas” este fenômeno é para mim mais perceptível.
      Alguém se relaciona pela internet e em um passe de mágica acha que tem o PLENO PODER do conhecimento, ou para colocar um indivíduo em um pedestal como o super gente boa O(A) CARA hiper valorizando atributos, ou se algo desagrada o norte vira sul em frações de segundos, tal qual feitura de miojo.  A pessoa passa a hiperdimensionar a possível falha por ela percebida.
       O que me causa estranheza são os que não conseguem separar as relações que foram realmente forjadas, de outras que podem ser um castelo de cartas, causa-me estranheza o dodói VERDADEIRO que surge do que é falso, causa-me estranheza pessoas paraquedas, que se abrem sem o tempo e altura necessários ao pular.
        Emitir opiniões de alguém a terceiros, como se o conhecimento virtual a “grande amizade” tivesse fornecido material suficiente para um julgamento (quer para o bem ou mal), deixa muito claro para mim a inconsistência (quase sempre) das relações ONLINE.
        Em alguns casos busca-se no outro o que se deseja e vai sendo montando um “avatarzinho”, uma “marionete”; se alguém interfere na feitura do mesmo, do “boneco(a)”, a pessoa causadora da “dita interferência” se torna o tal do CHUCKY (o boneco assassino), ele mata a imagem ilusória que foi criada.
        Tem quem olhe para o outro como se ele fosse um tipo de espelho, mas este espelho é diferente, não reflete a imagem real, quem se contempla busca aquilo que tape os buracos de sua alma e o torne inteiro.  Sucintamente falando, o outro serve se LHE SERVE.

        Todos têm virtudes e defeitos, não será quem for determinado por nós, que cobrirá  defeitos, nem elevará virtudes.  

        Amigo, quando se torna de fato ajuda sim, ampara, perdoa e embora contribua NÃO te fará ser mais do que você realmente é, certamente nem menos, já que entende que você é você; é exatamente por isso que são amigos.
       “O outro” não é remendo que se ajuste ao tecido de nossa alma, não cabe.

        Creio que é acima de tudo no respeito mútuo que ocorre a convivência, que por conVIVER pode ser criado verdadeiros laços de ternura.


     

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Seu moço!




Sou homi di pokas letras seu moço,
Nem tentu arrazuá, risco as veix um esboço
Do que na vida aprendu, aqui e acolá.
Quem é Dotô letradu qui si presti a ensiná.

Mas a verdadi seja dita pros dono de toda razão,
Ocês podi sabê tudo, mas eu sei que nada sei não.
Nessa minha inguinorança sei ondi vô terminá,
Os dias sobri esta terra qui sempre vô capiná.

Vou caminhanu faceiro sem muita procupação,
Nem tudo tenhu destreza, mas sô mestre com foice na mão.
Sempre aprendenu na vida com genti qui vévi fazenu,
E quase nada com aquelis qui conta como si faix.

Intonce si qué mi insiná, não se avexi seu moço
Caminha junto mais eu de cedinho até o armoço,
E quando chegar a tardinha adispois de muita prosa,
Fui só ieu qui aprendi enquanto lavrava a roça?

Adesculpem os letrados se a letra eu num dominu,
É qui mesmu senu crescidu num foi farci quando meninu.
Eu sô assim mesmu seu moço, um homi em construção
E se ocê tá prontinhu, faix favô, num me insine nada não.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Prevalecer!



Houve um tempo em que não queria ter nascido; em que a dor da vida
Causava-me tamanha ferida, que quase embotava o seu real sentido.
Houve um tempo em que não sabia por que tanto doía,
Aquilo que só eu via e que por medo escondia.
Ferida que sangra trata-se e cura, mas não sangra a dor da alma,
Fica escondida e de forma desmedida nos marca e gera trauma.


Há de se ter coragem de tirar toda bandagem e expor nossa feiúra.
É durante a viagem, na vida e não na margem que se vence a agrura.
É expondo o sentimento, que mesmo em meio ao lamento,
A dor que era doída causada pela ferida, vai perdendo seu vigor.
E a cada passo dado expurgando as mazelas vai surgindo o amor.
E quem dera encontremos em meio à caminhada, botões abrindo-se em flor.


A dor na alma de gente, sempre forja aquele que sente,
E tudo o que se aflora vem do fundo e não de fora.
É aquilo que sob pressão chega ao ponto de ebulição.
E quais novidades que surgem com as coisas que urgem?
Quando aparece o fruto do que se semeia em dores,
Ele é mais viçoso, exala maior olor e sempre tem mais sabor.


Por isso no caminhar sempre espere por surpresas,
Se acaso existir penumbras a luz vencerá com certeza.
Dores nós todos sentimos nos gerando desconforto,
Precisamos em meio à jornada abrir mão do peso morto.
E seguindo adiante mudará nosso semblante,
O que outrora tristonho, passará a ser radiante.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Lembranças!



Lembro-me constantemente de pessoas e fatos,
Alguns se foram e outros não; carrego todos em meu regaço.
Momentos vividos que são hoje em mim, retratos.
Pelo cortejo que se deu entre mim e eles, sou grato.

Pouco a pouco confiança adquirida em cada contato
E no dar e receber, no rir e chorar quando se tem tato,
Até em meio a dores, aliança mais que nó se torna laço,
Laço de enlace que une com ternura sem embaraço.

Lembro-me não porque tenho memória, mas porque é parte do que sou.
Sou mais que eu, sou momentos, parte de quem comigo comungou.
Aprendo para reter ou para descartar soltando o que não ficou.
Minha história é gravada tal qual semente que gerada depois desabrochou.